Sílvio Fernandes (Rio de Janeiro, c. 1908 – Rio de Janeiro, 1935), mais conhecido pelo apelido Brancura, foi um compositor, flautista e sambista brasileiro. É considerado uma figura histórica e um dos pioneiros do samba, sendo um dos fundadores da primeira escola de samba do Brasil, a Deixa Falar. Seu samba "Deixa essa mulher chorar", de 1931, foi um grande sucesso no carnaval na época, e foi gravado por Francisco Alves e Mário Reis, em dupla, pela Odeon.
Biografia e legado Brancura tornou-se uma figura central no bairro Estácio e na Zona do Mangue (região do bairro de Cidade Nova) nas décadas de 1920 e 1930, famoso nas rodas de malandragem. A descrição de sua identidade racial diverge conforme a fonte. O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira o descreve como sendo de "cor negra reluzente", o que teria motivado o apelido irônico. Já o pesquisador Humberto Franceschi, em sua obra Samba de Sambar do Estácio - 1928 a 1931, o descreve como "pardo". Segundo Franceschi (2010), Brancura era casado e vivia da exploração de prostitutas (cafetinagem) e de diversos tipos de jogos de azar (como chapinha, carteado e ronda). Ele morreu precocemente aos 27 anos, em 1935, vitimado por sífilis. Brancura foi a inspiração para o protagonista do livro Desde que o samba é samba (2012), de Paulo Lins (editora Planeta), por representar a malandragem.
Fundação da Deixa Falar A principal contribuição de Brancura para a história do samba foi a sua participação como um dos fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Deixa Falar, em 1928, considerado a primeira escola de samba do Brasil. Ele integrou o grupo original de sambistas do bairro Estácio, a Turma do Estácio, ao lado de Ismael Silva, Nilton Bastos e Alcebíades Barcelos (Bide), ajudando a consolidar o "samba do Estácio", formato que definiu o gênero musical moderno.
Obras notáveis Apesar da morte precoce, Brancura deixou composições gravadas por grandes nomes da Era do Rádio, como:
"Coração volúvel" (1929), gravada por Francisco Alves pela Odeon "Mulher venenosa" (1929), gravada por Francisco Alves pela Odeon "Deixa essa mulher chorar" (1931), gravada por Francisco Alves e Mário Reis, em dupla, pela Odeon "Príncipe negro" (1932), gravada por Patrício Teixeira "Sinto muito" (1932), gravada por Mário Reis "Carinho eu tenho" (1932), gravada por Ismael Silva "Você chorou" (1935), gravada por Francisco Alves "Samba de verdade" (1928), composta com Francisco Alves.
Referências