José Jurandir Felix (Água Branca, 9 de novembro de 1955), conhecido artisticamente como Jurandy do Sax, é um músico e saxofonista brasileiro, internacionalmente conhecido por tocar diariamente o Bolero de Ravel ao pôr do sol no rio Paraíba, próximo à Praia do Jacaré, em Cabedelo, Paraíba.
Carreira musical
Início Aos cinco anos de idade, mudou-se para a cidade de Livramento, na Paraíba. Três anos depois, deu os primeiros passos em sua trajetória musical ao ingressar em uma banda local, onde começou a tocar clarinete. Aos 23 anos, mudou-se para João Pessoa, onde continuou a desenvolver sua carreira. Nesse período, integrou a Banda de Música 5 de Agosto, vinculada à Prefeitura Municipal, e, posteriormente, a Banda da Polícia Militar da Paraíba. Nessa última, destacou-se como primeiro clarinetista solista, atuando também como segundo-sargento da corporação. Em 1993, lançou seu primeiro disco solo, intitulado Saxomaníaco. Nesse mesmo período, realizou, de forma experimental, sua primeira interpretação do Bolero, de Maurice Ravel, ao pôr do sol na Praia do Jacaré, em Cabedelo.
Visita à França Em 2005, o músico foi convidado a visitar a França, onde conheceu o Conservatório Maurice Ravel e realizou uma interpretação do Bolero próximo ao túmulo do compositor.
Honrarias Em 2015, recebeu a Medalha Augusto dos Anjos, concedida pela Assembleia Legislativa da Paraíba em reconhecimento à sua relevante contribuição cultural. No mesmo ano, recebeu o título de cidadão de Cabedelo, durante uma sessão especial realizada pela Câmara Municipal na Fortaleza de Santa Catarina. Em 29 de março de 2018, durante uma cerimônia no Teatro de Arena da Praia do Jacaré, foi homenageado com o título de Cidadão Pessoense, fortalecendo sua ligação com a capital paraibana.
Bolero de Ravel A ideia de fazer a apresentação surgiu em 1993 quando Jurandy contemplou um pôr do sol na Praia do Jacaré. No mesmo ano, o músico começou a fazer apresentações espontâneas no local, ainda sem a presença de público. Foi só em 2000 que ele começou a tocar diariamente o Bolero de Ravel na região. A execução durava aproximadamente 17 minutos, criando um vínculo simbólico entre a extensão da música e o tempo do pôr do sol. A partir de 2001, a apresentação ganhou uma nova dimensão, com Jurandy se apresentando em uma pequena embarcação e, tradicionalmente, vestido de branco. Em 2020, em meio a pandemia de COVID-19, a Prefeitura de Cabedelo, como medida de prevenção para evitar a transmissão do coronavírus, suspendeu as visitas à Praia do Jacaré, onde Jurandy tradicionalmente se apresentava. Devido às restrições de deslocamento impostas pela pandemia, Jurandy, seguindo a orientação dos profissionais de saúde, passou a cumprir quarentena em sua residência, em João Pessoa. Por conta disso, durante esse período, e como estratégia para evitar a aglomeração de pessoas na Praia do Jacaré, o artista começou a tocar o Bolero de Ravel ao pôr do sol na cobertura do edifício onde mora, transmitindo a apresentação online para seus seguidores. Em 2023, o músico foi citado em uma questão da prova de linguagens do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do mesmo ano. Em 2024, Jurandy celebrou 9 mil apresentações do Bolero de Ravel na Praia do Jacaré. Em dezembro de 2025, a performance musical de Jurandy no rio Paraíba foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Paraíba por meio de uma lei estadual, aprovada na Assembleia Legislativa da Paraíba e sancionada pelo governador João Azevêdo.
Formação acadêmica Jurandy é formado em bacharelado em música com habilitação em clarinete pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Referências