Oito policiais militares que participaram da Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, foram denunciados pelo MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) por suspeitas de ilegalidades durante a ação.A Auditoria da Justiça Militar recebeu três denúncias apresentadas pelo Gaesp (Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública) na quinta-feira (8). Entre os crimes apontados estão invasão de domicílio, furto e recusa de obediência.Uma das denúncias envolve cinco policiais acusados de retirar as câmeras operacionais portáteis das fardas, descumprindo ordens superiores e uma instrução normativa da Polícia Militar.São eles: o segundo-tenente Roger Pereira Folhadella, os segundos-sargentos Leandro Neves Ribeiro e Emanuel D’Azevedo Ferreira, o subtenente Paulo Cesar da Cruz Telles e o cabo Thiago Leandro da Silva. Já o cabo Iassui Santos Rocha Junior foi denunciado por obstruir a câmera que utilizava.Roger, Thiago, Iassui e Leandro também respondem por invasão de domicílio. Segundo a denúncia, eles arrombaram o portão de uma residência que estava vazia e entraram no imóvel. Paulo Cesar também foi denunciado pela invasão e por furtar um picolé da geladeira de uma das casas.Em outra denúncia, o MPRJ apontou que o subtenente Jefferson Ferreira Braga e o cabo Ewerton Guimarães da Silva retiraram as câmeras das fardas durante a operação, impedindo o registro das atividades policiais. De acordo com o órgão, Jefferson deixou o equipamento dentro de uma viatura, enquanto Ewerton guardou a câmera em uma bolsa de hidratação.A apuração dos fatos relacionados à Operação Contenção é conduzida pelo GAESP/MPRJ, que instaurou um Procedimento Investigatório Criminal independente e adotou medidas previstas na ADPF 635, que trata do controle das operações policiais no Rio de Janeiro.Durante a investigação, o Ministério Público requisitou documentos às secretarias estaduais de Polícia Militar e de Polícia Civil, ouviu agentes envolvidos no planejamento e na execução da ação e realizou perícias próprias e complementares no Instituto Médico Legal.O trabalho também inclui a análise de mais de 3.600 horas de gravações das câmeras corporais da Polícia Militar, em conjunto com a Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia da Coordenadoria de Inteligência da Investigação do MPRJ. O órgão também mantém contato com familiares das vítimas da operação.Além da investigação criminal, o Ministério Público expediu recomendações às autoridades estaduais em dezembro de 2025 e março de 2026. A primeira propôs a criação de um protocolo conjunto para operações policiais, com medidas destinadas à redução de riscos e da letalidade. A segunda buscou aprimorar o planejamento, a execução e o monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis.Com as três novas denúncias, o MPRJ chega a seis denúncias apresentadas contra 17 policiais militares por suspeitas de irregularidades durante a Operação Contenção. As acusações anteriores e atuais abrangem, entre outras condutas, apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasões de domicílio, constrangimento de moradores, subtração de bens e tentativas de impedir ou interromper gravações das câmeras corporais.Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









