O vulcão Masaya, na Nicarágua, pode estar voltando a acumular magma em uma de suas reservas subterrâneas, enquanto uma segunda estrutura também apresenta sinais de atividade. A descoberta foi apresentada por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, em um estudo publicado em 7 de outubro de 2026 na revista Geophysical Research Letters.

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A pesquisa analisou imagens de radar do satélite Sentinel-1, obtidas aproximadamente a cada 12 dias durante seis anos. Os resultados ajudam a compreender o funcionamento interno do vulcão, conhecido pelo lago de lava chamado de “Boca do Inferno”. Cerca de 2 milhões de pessoas vivem nas proximidades da estrutura, que fica a aproximadamente 20 quilômetros de Manágua, capital do país. Apesar dos sinais identificados, os pesquisadores afirmam que não há indicação de perigo imediato para a população.
Duas reservas de magma apresentam sinais de atividade
Entre 2018 e meados de 2022, a chamada Reserva Central de Masaya, uma câmara de magma localizada ao norte da cratera Santiago, apresentou um deslocamento de aproximadamente 3 centímetros para longe do satélite. Os cientistas interpretaram esse movimento como um sinal de afundamento do solo, que pode indicar a saída de magma da estrutura subterrânea.
A partir de meados de 2022 e até 2024, porém, o terreno começou a subir novamente. Segundo os pesquisadores, esse comportamento pode indicar que a reserva está voltando a receber magma.
Ao mesmo tempo, a área ao redor da cratera Santiago apresentou afundamento durante todo o período analisado, entre 2018 e 2024. Para a equipe, esse comportamento indica a possível existência de uma segunda reserva de magma, mais próxima da superfície, situada a cerca de 200 metros de profundidade.
Lizzie Johnson, geocientista e autora principal do estudo, explicou que o afundamento do terreno pode indicar que o magma está deixando o vulcão. Já a elevação do solo pode sinalizar a entrada de novo material na estrutura.
A diferença entre os movimentos observados nas duas áreas sugere que o sistema subterrâneo de Masaya é mais complexo do que se imaginava. Os pesquisadores consideram que a diminuição da quantidade de magma na reserva mais superficial pode explicar parte das mudanças registradas perto da cratera Santiago.
Vulcão oferece riscos mesmo sem uma grande erupção recente
Embora Masaya não produza um grande fluxo de lava desde 1772, o vulcão continua liberando gases. Segundo Johnson, as emissões persistentes podem gerar concentrações perigosas de dióxido de enxofre, um gás de origem vulcânica.
Essas emissões também contribuem para a formação de chuva ácida e podem prejudicar a saúde humana. Além disso, o vulcão registrou várias explosões nas últimas cinco décadas, embora poucas pessoas tenham ficado feridas nesses episódios.
O lago de lava que atrai milhares de turistas todos os meses representa apenas uma pequena parte da estrutura vulcânica. Por isso, compreender os processos que ocorrem abaixo da superfície é importante para avaliar os riscos enfrentados pelos moradores e visitantes da região.
Os pesquisadores destacam que acompanhar as mudanças na superfície do vulcão é uma etapa importante do monitoramento de possíveis perigos. No entanto, os resultados atuais não apontam para uma ameaça imediata às comunidades próximas.
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A equipe afirma que novos estudos geodésicos de longo prazo, combinados com modelos que ajudem a interpretar os movimentos subterrâneos, poderão ampliar o conhecimento sobre Masaya e contribuir para o monitoramento de outros vulcões basálticos que abrigam lagos de lava.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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Tags: Magma vulcão Vulcões


