Quando se fala em barata ciborgue, muita gente imagina um robô de metal com formato de inseto. Não é bem assim: os chamados paraborgs, apresentados em agosto de 2026 pela Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto. A novidade é que, além de procurar sobreviventes, elas foram testadas para aplicar injeções em vítimas presas sob escombros. Por enquanto, os testes foram feitos só em laboratório, longe de uma operação de resgate real.Como funciona uma barata ciborgue guiada por controle remoto?Tudo começa com um sistema de navegação removível. Os pesquisadores implantam eletrodos e um microchip no inseto, que fica anestesiado durante o procedimento, e acoplam uma pequena mochila eletrônica. Com esse equipamento, um operador humano pilota a barata a distância por escombros e terrenos irregulares.A espécie escolhida foi a barata-gigante-escavadora do norte de Queensland (Macropanesthia rhinoceros), um inseto grande e robusto. O porte faz diferença, porque um animal maior carrega mais equipamento. O mesmo grupo de biorrobótica já tinha criado besouros ciborgue capazes de escalar de forma controlada e agora buscou um inseto maior para levar equipamentos médicos e de resgate.Cada barata ciborgue cumpre uma função. Algumas levam câmera para dar retorno visual ao operador; outras carregam um autoinjetor acionado a distância, feito sob medida para a espécie. O projeto une o laboratório de biorrobótica da UQ e engenheiros biomédicos da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), e o estudo saiu no periódico Advanced Science.Testes em laboratório chegaram a 95% de acerto na injeçãoNos testes de prova de conceito, feitos na Escola de Engenharia Mecânica e de Minas da UQ, a injeção a curta distância deu certo em 95% das tentativas. Para isso, o inseto ficava a até 15 centímetros do alvo, segundo o comunicado oficial da Universidade de Queensland sobre o estudo.Em testes de laboratório, a injeção a curta distância deu certo em 95% das tentativas, com o inseto a até 15 centímetros do alvo - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificialQuando a tarefa era completa, ou seja, navegar até o alvo e aplicar a dose, as baratas tiveram sucesso em 72% dos testes. Segundo o doutorando Hai Nhan Le, autor principal, o mais difícil foi posicionar o inseto com precisão e mantê-lo estável para disparar a agulha. Na demonstração divulgada pela universidade, o alvo era um pedaço de barriga de porco crua.Chegar a espaços apertados onde uma pessoa não cabe também é um desafio para a robótica em outras áreas, como a arqueologia. Um caso no México mostra como isso funciona na prática.LEIA MAIS NO OLHAR DIGITALRECOMENDADOO pequeno robô enviado para um túnel onde arqueólogos não conseguiam entrar e o que apareceu sob uma pirâmide de 2 mil anos➔Microeletrônica e supervisão humana ditam os limites do projetoA máquina não decide sozinha. Para Thang Vo-Doan, que lidera o trabalho, o projeto transforma o inseto de sensor móvel em uma pequena plataforma de resgate. As decisões médicas críticas, porém, continuam com humanos. A pergunta que guiou a equipe, segundo ele, foi simples: quando elas encontram alguém, conseguem de fato ajudar?A tecnologia ainda não foi testada em desabamentos reais e deve apoiar os socorristas, não substituí-los - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificialToda a microeletrônica precisa ser leve e removível. De acordo com a UQ, as baratas são anestesiadas na instalação dos eletrodos e do microchip e, depois que os arreios saem, vivem tanto quanto as outras. O professor Thanh Nho Do, da UNSW, diz que a meta é uma intervenção supervisionada onde a tecnologia médica convencional não chega.Nada disso passou ainda pelo teste de um desabamento de edifício real. Os ensaios ocorreram em ambiente controlado, e o grupo trata como visão de longo prazo os enxames de insetos com papéis complementares. Para Tim Hassiotis, superintendente dos bombeiros de Nova Gales do Sul, a tecnologia pode ampliar o alcance de cada operação de resgate.Baratas ciborgue podem chegar a resgates reais em 5 a 10 anosA estimativa é do próprio Vo-Doan: com recursos para mais pesquisa e testes de campo, equipes de insetos ciborgue poderiam atuar em emergências reais dentro de 5 a 10 anos. Ele insiste que a proposta é apoiar os socorristas, e não substituí-los, levando ajuda até onde as pessoas não alcançam.Enquanto essa tecnologia amadurece, a resposta a um desabamento de prédio continua nas mãos dos bombeiros e da Defesa Civil. Um passo simples que você pode dar hoje é salvar no celular os números 193, do Corpo de Bombeiros, e 199, da Defesa Civil. Aproveite e combine com a sua família o que fazer numa emergência, e conte com a gente para acompanhar os próximos passos dessas baratas.A natureza também inspira robôs de outras formas, às vezes em escala microscópica. A lagartixa é um bom exemplo disso.LEIA TAMBÉM NO OLHAR DIGITALTAMBÉM NO SITEA lagartixa não usa ventosas para andar no teto, milhões de estruturas microscópicas explicam o truque que inspira robôs➔

Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros
Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros · Imagem: Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros
Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros
Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros · Imagem: Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros
Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros
Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros · Imagem: Os paraborgs são baratas vivas com microeletrônica nas costas, guiadas por controle remoto entre escombros
Em testes de laboratório, a injeção a curta distância deu certo em 95% das tentativas, com o inseto a até 15 centímetros do alvo
Em testes de laboratório, a injeção a curta distância deu certo em 95% das tentativas, com o inseto a até 15 centímetros do alvo · Imagem: Em testes de laboratório, a injeção a curta distância deu certo em 95% das tentativas, com o inseto a até 15 centímetros do alvo
A tecnologia ainda não foi testada em desabamentos reais e deve apoiar os socorristas, não substituí-los
A tecnologia ainda não foi testada em desabamentos reais e deve apoiar os socorristas, não substituí-los · Imagem: A tecnologia ainda não foi testada em desabamentos reais e deve apoiar os socorristas, não substituí-los