Em Ligornetto, no sul da Suíça, uma construção romana apareceu onde seria erguido um novo edifício. O conjunto tem pelo menos 6 cômodos, telhas desabadas e uma camada de carvão ligada a um grande incêndio no século III, além de resíduos de ferro e bronze que apontam para trabalho artesanal no local.

O que a escavação revelou nessa construção romana?

A estrutura mede cerca de 8 metros de largura e pelo menos 11 metros de comprimento, mas continua além da área aberta. Os seis ambientes entram num contexto mais amplo de sítios romanos da Suíça, onde diferentes ocupações deixaram vestígios espalhados pelo território.

No lado sul havia um pórtico de aproximadamente 3 metros. Reformas posteriores acrescentaram divisórias e reaproveitaram tijolos, sinal de que o edifício mudou ao longo do tempo. A escavação também encontrou estruturas de madeira mais antigas, anteriores à construção de alvenaria do século II.

Construção romana em Ligornetto preserva sinais de incêndio - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Por que o incêndio preservou tantos sinais da destruição?

O fim da ocupação ficou registrado numa camada espessa de carvão. Durante o incêndio do século III, o telhado de tijolos caiu sobre partes do prédio, cobrindo materiais e formando uma espécie de fotografia arqueológica do momento em que a construção romana deixou de ser usada.

Esse tipo de registro aparece porque a investigação ocorre antes de novas obras. O Serviço de Arqueologia do Ticino acompanha escavações ligadas a intervenções públicas e privadas, permitindo documentar camadas antigas antes que o terreno seja transformado.

O prédio era uma casa ou tinha outra função?

A função exata ainda não foi definida. A ausência de lareiras e de outros elementos domésticos levou os pesquisadores a considerar que o edifício provavelmente não era uma residência comum. O entorno, por sua vez, reúne sinais de atividade agrícola e artesanal.

Três pistas sustentam essa interpretação:

- Escória de ferro: apareceu em quantidade incomum nas camadas romanas.

- Resíduos de bronze: indicam processamento ou trabalho com outros metais.

- Estruturas leves: marcas de postes sugerem abrigos ou áreas de trabalho no exterior.

Construção romana em Ligornetto preserva sinais de incêndio - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O que os metais contam sobre a atividade no entorno?

Os resíduos mostram que trabalho com metais ocorria perto do edifício, mas não provam que todos os cômodos fossem oficinas. A combinação de escória, resíduos de bronze, caminhos e estruturas externas aponta para uma área em que produção e circulação aconteciam lado a lado.

Pesquisas federais sobre a arqueologia do Ticino também mostram uma longa sequência de ocupação regional entre a Idade do Ferro e o período romano. Em Ligornetto, essa continuidade ajuda a colocar os novos achados dentro de uma paisagem habitada por muitos séculos.

Por que uma obra moderna pode acabar revelando um sítio antigo?

Novas fundações mexem justamente nas camadas onde vestígios podem permanecer enterrados. Em Ligornetto, o projeto residencial abriu espaço para investigar cerca de 500 m² antes da construção, revelando fases que vão de estruturas antigas de madeira ao edifício romano destruído pelo fogo.

A escavação ainda pode ampliar o tamanho conhecido do conjunto. Por enquanto, carvão, telhas e resíduos metálicos conectam arquitetura, produção artesanal e destruição num mesmo lugar, permitindo reconstruir não apenas como o prédio foi erguido, mas também como sua ocupação terminou.

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