* O autor faz parte da comunidade de leitores da La Vanguardia Anna Campos Regales, nascida em Barcelona no dia 15 de novembro de 1999. está à frente da Pastisseria La Estrella, a confeitaria mais antiga de Barcelona. Entrou como aprendiz e hoje é quem mantém viva uma história que começou em 1825. No final de novembro de 2024, após semanas com o futuro incerto, a persiana da confeitaria mais antiga de Barcelona levantou-se novamente. Não é uma confeitaria qualquer. A La Estrella abriu em maio de 1825 na Nou de la Rambla, acumula 201 anos de história e está catalogada pelo Patrimoni como estabelecimento emblemático com a máxima proteção. Hoje, atrás desse negócio centenário, há uma jovem de apenas 26 anos. Encontramo-nos com Anna na própria loja, para realizar esta entrevista para a Rede de Leitores da La Vanguardia. Sentamo-nos ao redor de uma dessas mesas antigas de mármore que viram passar gerações. Falhamos a alguns metros do forno. O forno, com mais de 150 anos, está aceso e nota-se no ambiente. Cheira a manteiga, a massas assadas. Enquanto tiramos as fotografias, o cheiro fica mais intenso. No meio desse aroma digo que eu também vinha aqui quando era pequeno, de mãos dadas com meu avô, para comprar. Ela sorri. Diz-me que essa é a história que mais se repete. Foi um momento muito íntimo, muito agradável e muito pessoal. E assim decorreu toda a conversa. Anna, tens 26 anos. Imaginavas-te a esta idade à frente de uma pastelaria com 201 anos de história? (Ri) A verdade é que não. Quando comecei aqui era muito jovem e estava a aprender. Gostava imenso da pastelaria, mas não podia imaginar que um dia acabaria por levar La Estrella. É algo que foi acontecendo pouco a pouco e que agora vivo com muita ilusão. O que você lembra daquela Anna que entrou pela primeira vez? (Ela me olha e pensa por um segundo) Lembro do desejo de aprender, de trabalhar e de descobrir tudo o que havia por trás de cada elaboração. Para mim foi uma etapa muito importante porque aqui comecei a conhecer realmente o ofício e também aprendi muitas coisas que ainda hoje me acompanham. Entre 2017 e 2021, ela compaginou o trabalho na La Estrella com seus estudos na Escola de Confeitaria do Gremio de Barcelona. Depois, seguiu seu caminho em outros obradores, mas nunca se desenganchou totalmente desse lugar. Quando você soube que estava fechando por aposentadoria e foi colocado à venda, o que pensou? Que tinha que ser para mim. Ela diz sem hesitar. Sentia que ainda havia muito a fazer e que aquele lugar merecia seguir em frente. Falei com a pessoa que estava à frente, comentei com minha família e comecei a avaliar se eu poderia assumir. E no final senti que tinha que dar o passo. Durante algumas semanas, o futuro da La Estrella ficou no ar. Anna, que ya conocía el obrador y lo que significaba, decidió sin dudar apostar por continuar la historia desde el otro lado del mostrador. ¿Cómo fue aquella tarde después de tomar la decisión? Fue una tarde muy feliz, compartida con toda mi familia, que siempre me había apoyado. Sentía que empezaba a cumplir uno de mis sueños. Sabía que me esperaba un camino largo, pero estaba feliz y con muchísimas ganas de sacar adelante este proyecto. ¿Te imponía respeto ponerte al frente de una pastelería con 201 años detrás?. Sí, mucho. Sabía que tenía una gran responsabilidad, pero sobre todo lo vivía con mucha ilusión. Era un reto enorme, pero también una oportunidad que me hacía muchísima ilusión. ¿Qué sentiste el primer día que volviste a levantar la persiana? Muchísima emoción. Fue como cerrar un círculo. Voltar ao lugar onde eu havia começado e fazer isso agora a partir de outra posição era muito especial. O que significa acender todos os dias um forno que tem mais de um século? É uma sensação muito especial. Quando você está lá dentro e sabe toda a gente que trabalhou com esse forno antes de você, você toma consciência de que está fazendo parte de algo muito maior. E também você tem uma responsabilidade: fazer com que ele continue funcionando e que a história continue. La Estrella não é apenas uma confeitaria. Durante gerações foi um ponto de encontro, um estabelecimento ligado à vida cotidiana do bairro. O que mais te deixa animado quando você abre todos os dias? Ver que as pessoas continuam entrando. Que há clientes que vêm porque já nos conheciam e outros que descobrem a confeitaria pela primeira vez. Eu gosto muito dessa mistura. Saber que continuamos fazendo parte do dia a dia das pessoas é muito bonito. Quem conta aos seus clientes que mais o emocionam? Principalmente as histórias de toda a vida. Pessoas que vêm e dizem que os seus pais já compravam aqui, que vinham quando eram pequenos ou que têm uma memória associada a um bolo ou a um doce. São coisas simples, mas para nós têm muito valor. Existe alguma história que ficou gravada na sua mente? Existem muitas. E talvez o mais bonito seja que cada pessoa tem a sua própria história com La Estrella. Há quem venha por tradição familiar e há quem entre simplesmente porque passou por ali. Quando consegues fazer alguém sair feliz e querer voltar, para mim já é importante. Não mudamos nada. Não é preciso mudar nada quando tens um dos estabelecimentos mais bonitos da cidade. Com 26 anos, qual é o que há de mais difícil em estar à frente? Aprender cada día. No solo está la parte de hacer pastelería. También está organizar, gestionar, tomar decisiones, pensar en el futuro y estar pendiente de muchas cosas a la vez. Pero todo forma parte del aprendizaje y estoy disfrutando mucho de este proceso. No se trata solo de mantener unas recetas, sino de respetar un espacio, una manera de trabajar y una relación con el barrio construida durante generaciones. ¿Qué parte de Anna hay hoy en La Estrella? Supongo que hay una parte de mi manera de entender la pastelería, de trabajar y de hacer las cosas. Pero también tengo muchísimo respeto por lo que ya existe. No quiero que deje de ser la Pastisseria La Estrella. Quiero que siga siendo reconocible para quienes llevan toda la vida viniendo y que, al mismo tiempo, pueda llegar a nuevas generaciones. ¿Qué te gustaría que sintiera alguien joven que entra por primera vez? Que aquí también hay un lugar para ellos. Que uma confeitaria com tanta história não precisa ser algo antigo ou distante dos jovens. Gostaria que descobrissem o valor do artesanal, de fazer as coisas com tempo e de cuidar dos pequenos detalhes. Continuamos na mesa de mármore e faço a última pergunta, aquela que me leva ao meu próprio recuerdo. Depois de 201 anos, o que você gostaria que a La Estrella continuasse despertando? Talvez uma lembrança da infância, como aquele avô que levava seu neto para comprar um croissant de chocolate... Eu adoraria. Acho que isso é uma das coisas mais bonitas que uma confeitaria pode ter: não apenas levar um doce, mas também uma lembrança. Que alguém entre e pense em sua infância, em seus pais, em seus avós, naqueles lanches ou em um dia especial. Se conseguirmos fazer com que a La Estrella faça parte dessas memórias, para mim já é algo muito grande. Se você pudesse falar com aquela menina de cinco anos que já sabia que queria ser confeitaria, o que lhe diria? Que ela continuasse confiando no que queria. Com cinco anos já sabia que queria ser confeitaria. Não tinha nenhuma dúvida. Quando se é pequeno, talvez não saiba como será o caminho, mas se realmente algo lhe apasiona, vale a pena tentar. Eu ainda tenho muita vontade de aprender e de continuar crescendo. Nos despedimos com o mesmo cheiro com que começamos. La Estrella abriu em maio de 1825 e, 201 anos depois, continua sendo um desses lugares que despertam algo mais do que fome. Basta cruzar a porta para encontrar os cheiros da pastelaria recém-feita, aqueles que impõem e que, especialmente para quem somos golosos, tornam difícil sair com as mãos vazias. Mas talvez o mais bonito seja o que esses cheiros despertam: um lanche, uma manhã de domingo, um bolo de aniversário ou aquele croissant de chocolate que alguém comprava quando era pequeno na mão do avô. Como eu. Anna quer que a Pastisseria La Estrella continue sendo isso: um lugar onde as gerações se encontrem, onde a tradição tenha sabor e onde cada cliente possa levar algo mais do que uma caixa de bolos. Porque talvez o verdadeiro segredo para que uma história dure 201 anos não esteja apenas nas receitas, nem no forno, nem nas paredes. Está em conseguir que alguém, muitos anos depois, possa dizer: 'Aqui me trazia meu avô quando era pequeno.' Obrigada, Anna, por nos receber na sua mesa de mármore, pelo seu tempo e por contar-nos a sua história com tanta proximidade. Foi um prazer compartilhar este momento contigo e descobrir que, por trás de uma história de 201 anos, há também muita esperança no que está por vir. Os interessados em participar na seção Fotos dos Leitores devem apenas enviar um e-mail para o endereço de nossa seção de Participação (participacion@lavanguardia.es) anexando a fotografia, explicando os detalhes de como e onde ela foi tirada e fornecendo os dados do autor para a assinatura da imagem. É importante indicar no assunto do e-mail: 'Fotos dos Leitores'.





























