Em 7 de novembro de 2006, chegou às prateleiras de todo o mundo o revolucionário Gears of War, jogo exclusivo do XBOX que se destacou por seu sistema de cobertura criativo e bem-feito , seu gameplay visceral , além de revolucionar o modo online e inspirar muitos outros títulos daquela geração . Depois de 20 anos, Gears of War: E-Day chega aos XBOX Series como uma prequel da franquia e primeiro jogo exclusivo vitalício do XBOX em anos . Além dessas responsabilidades, Marcus Fenix, Dom Santiago e companhia têm a importante missão de rechear as comemorações de 25 anos da marca , logo após Forza Horizon 6 e Halo: Campaign Evolved . Mas, afinal, Gears of War: E-Day valeu seis anos de espera por um novo jogo da The Coalition? O título está tão impressionante quanto nos foi apresentado? Prós Contras O Dia da Emergência é brutal e lindíssimo Uma das tarefas mais difíceis para qualquer obra é conseguir atrair as pessoas em seus primeiros momentos. Nos videogames, consigo me lembrar do início brutal e caótico de The Last of Us como um dos mais marcantes de todos. Felizmente, Gears of War: E-Day segue uma linha muito parecida e entra para esse hall da fama . O jogo se passa antes dos eventos do primeiro título, durante o Dia da Emergência , momento em que a raça subterrânea conhecida como Locust invade o planeta Sera e devasta tudo o que vê pela frente . Gears of War: E-Day, em específico, se passa na cidade de Kalona pouco tempo depois do fim da Guerra do Pêndulo, local onde Dom Santiago e Marcus Fenix dão uma pausa após a morte do irmão e companheiro Carlos Santiago, que perdeu a vida no conflito. Gears of War: E-Day começa com os dois pés na porta . Logo de início, já conhecemos o que viria a ser o Esquadrão Bravo, formado pela dupla conhecida pelos fãs, mas com a estreia de Mags Carter e Lucas Reyes . Juntos, eles precisam lidar com um cenário totalmente novo: buracos surgem do chão e criaturas não humanas atacam tudo o que veem pela frente. Desde o primeiro momento de gameplay, a The Coalition mostrou todo o seu poderio tecnológico e pedigree na Unreal Engine 5 . Embora seja um jogo linear, o que facilita as coisas, Gears of War: E-Day possui gráficos simplesmente incríveis. Além disso , há um nível de detalhes e uma densidade de objetos no cenário de tirar o chapéu . O título conta com texturas bem complexas e detalhadas, iluminação fantástica e reflexos em superfícies como vidros e poças d’água que colocam a franquia em outro patamar gráfico. A mesma qualidade se repete nas cutscenes e na captura de movimentos, que só melhoram com o passar do jogo. É uma primeira impressão caótica, mas lindíssima, digna de um jogo da série Gears, conhecida por sua visceralidade. De início, o jogo até passa a sensação de que vai pegar emprestado elementos de terror , mas deixa essa estética rapidamente. Ação de outro mundo Embora os gráficos sejam um grande convite para entrar na guerra contra os Locusts, Gears of War: E-Day reitera mais uma vez que estamos falando de um jogo de ação. A The Coalition não apenas mostrou isso com takes mais cinematográficos, destruição em massa e explosões para todos os lados, como também refinou as conhecidas mecânicas da franquia . Gears of War: E-Day entrega um sistema de cobertura ultra-responsivo e dinâmico , que permite transições fluidas entre diversas estruturas e incentiva o jogador a se locomover a todo momento para contornar as linhas inimigas. O ritmo frenético dos combates também ajuda a ressaltar a ação no jogo de tiro em terceira pessoa . A brutalidade segue o pedigree da série, com sangue, vísceras e cenas chocantes para todos os lados. A progressão acontece de maneira linear, com algumas poucas áreas abertas , mas ainda direcionadas para a ação. O looping de gameplay alterna entre missões de suporte, combate a ondas de inimigos, defesa de posições, coleta de munição e exploração do cenário. Nesses locais mais amplos, Marcus Fenix pode realizar algumas missões paralelas que concedem modificações para o arsenal da CGO , também encontradas em baús espalhados pelo mapa. Cada arma do jogo pode contar com até quatro melhorias que mudam aspectos como dano, precisão, cartucho e coice, entre outros atributos. Os jogadores também contam com upgrades para a armadura e itens táticos como bombas de adrenalina e rastreadores de inimigos . Essas modificações também incentivam os jogadores a explorar os mapas de Kalona para conseguir mais melhorias — o que funciona, ao menos no início do jogo. Isso porque há tantas opções de upgrades que fica até cansativo ir atrás de mais deles, sendo que vários são pouco proveitosos . Navegar pela interface das armas é outra tarefa que se torna burocrática quanto mais nos aproximamos do fim. Seria interessante se a The Coalition optasse por um sistema mais simplificado, como vemos na franquia DOOM , por exemplo. Se o foco do jogo é a ação, o jogador não quer perder tempo lendo dezenas de descrições de melhorias das várias armas. Locusts mais atacados do que nunca Não teríamos ação sem os antagonistas do game. Gears of War: E-Day apresenta uma boa variedade de inimigos que permitiu à The Coalition explorar diversas situações de maneiras diferentes , embora a repetitividade ainda seja uma questão presente. O jogo não oferece novas formas de jogar ou enfrentar os inimigos de manerias diferentes com muita frequência. São as atividades de progressão padrão: elimine os inimigos da área e continue . Contudo, pelo menos até a metade da campanha, a produtora amenizou a sensação de repetitividade ao posicionar os inimigos em locais diferentes e variar os tipos de ameaças. O level design brilha por muito tempo em Kalona, mas vai perdendo seu brilho aos poucos . Nos trechos finais do jogo, a fórmula de combater os Locusts e prosseguir vai ficando maçante. Um fator que contribui muito para isso é a frequente reutilização de cenários . Podemos citar o Centro de Kalona, que funciona como uma espécie de hub entre as missões e pelo qual passamos pelo menos três vezes. Claro que a The Coalition se deu ao trabalho de destruir o distrito mais e mais a cada passagem do Esquadrão Bravo , mas a sensação de "já passei por aqui" deixa um tom amargo no final da experiência . Há níveis muito legais em Gears of War: E-Day e não dá para entender por que a desenvolvedora optou por repetir alguns desses cenários. Embora isso ajude o jogador a se familiarizar com os locais, se perde o fator novidade . A equipe poderia ter usado esse espaço para introduzir novas mecânicas de combate, fugindo um pouco do padrão convencional da série. Felizmente, essa repetitividade é interrompida pelas batalhas contra chefes e inimigos mais fortes . Logo de início, enfrentamos alguns Locusts barra-pesada e gigantescos, que ressaltam ainda mais a ação do jogo. Embora esses chefes não contem com padrões de ataque muito complexos — variando de duas a quatro ações diferentes —, monstros como um sapo gigante ou um mini-Godzilla já colocam Gears of War: E-Day em uma escala ainda maior de ação . Esquadrão Bravo brilha no Dia da Emergência Gears of War nunca escondeu um de seus pontos mais fortes: a dinâmica entre os protagonistas. No novo jogo, os personagens possuem uma profundidade que vai além do superficial. A química entre eles dispensa comentários , e há toda uma evolução na forma como lidam um com o outro e com as missões que lhes são atribuídas. Logo na abertura, podemos notar os dramas pessoais dos membros. Marcus Fenix, por exemplo, perdeu seu irmão de consideração na guerra e precisa lidar com o luto a todo instante. Dom Santiago quer pendurar a armadura, mas a invasão dos Locusts gera incertezas sobre o paradeiro de sua família . Mags, uma ex-Gear, questiona a todo momento os superiores e a estrutura daquele mundo. Por fim, Lucas é o recruta inexperiente que, diferentemente de outros casos em que arquétipos assim viram mero alívio cômico, evolui ao perceber a brutalidade da guerra . Há um desenvolvimento consistente dos personagens ao longo da campanha, algo reforçado nos coletáveis que contam não apenas a história daquele mundo, mas também dos personagens que lá habitam. O grande problema é que a The Coalition abusou dos itens colecionáveis para se aprofundar na narrativa de Gears of War: E-Day , o que pode incomodar quem não gosta de ir do ponto A ao B sem justificativa clara. Claro que estamos falando de um shooter de ação, e o tiroteio precisa ser o foco. A questão é que há várias abordagens que a desenvolvedora deixou de lado. É o caso do autoritarismo da CGO , que, embora seja abordado em diversos momentos, acaba esquecido no fim das contas. Há até um representante da organização militar que poderia ser um ótimo antagonista, em especial por suas motivações questionáveis, mas cuja trama não é tão bem explorada . Os problemas em Kalona Não é possível falar sobre Gears of War: E-Day sem mencionar sua qualidade gráfica impressionante. Porém, todo esse pedigree vem acompanhado de problemas de performance . Toda a campanha do Esquadrão Bravo em Kalona foi marcada por quedas constantes de FPS no XBOX Series X (mesmo no modo desempenho). As áreas mais abertas são ainda mais críticas nesse quesito . Essa perda de rendimento se intensifica no trecho final do jogo, quando há dezenas de inimigos por todos os lados. Cheguei a enfrentar um crash inesperado nos momentos decisivos da campanha. O problema pode ser fruto da Unreal Engine 5 , que ganhou má fama entre os jogadores de PC por conta de títulos lançados com otimização aquém do esperado . Gears of War: E-Day é um jogo pesado e que deve dar trabalho em hardware menos potente. As quedas de taxa de quadros não chegam a tornar o shooter injogável , mas podem incomodar quem valoriza estabilidade. Outro ponto negativo é o design de áudio do jogo . Gears of War: E-Day conta com muitos diálogos fora das cutscenes, em especial entre os membros do Esquadrão Bravo. O grande problema é que a mixagem de som parece desalinhada: as vozes dos personagens ficam muito baixas em comparação com o som ambiente e os efeitos sonoros . Mesmo ajustando as configurações, é possível ver uma discrepância marcante. A dublagem em português do Brasil também apresenta deslizes . Em vários momentos, ocorrem dessincronização labial, sobreposição de vozes e falas cortadas que retornam com atraso após o fim das cenas. Somado à mixagem inconsistente, ouvir uma conversa entre Marcus e Dom em meio ao tiroreio pode ser uma tarefa difícil , principalmente se as legendas estiverem desativadas. A trilha sonora do jogo também é discreta demais . Em certos momentos, há apenas temas militares genéricos que definitivamente não marcam. Não se trata de uma trilha ruim, mas sim da ausência de faixas mais marcantes que pudessem elevar a ação visceral que Gears of War: E-Day oferece . Gears of War: E-Day vale a pena? Gears of War: E-Day veio com a missão de não só representar a franquia na geração do XBOX Series, mas também comemorar os 25 anos da marca XBOX. Embora os problemas de performance, áudio e repetitividade sejam um tendão de Aquiles para o Esquadrão Bravo , a The Coalition conseguiu entregar exatamente o que o fã espera de um Gears quando o assunto é temática militar e ação visceral. Não espere uma grande revolução ou a reinvenção da roda . Gears of War: E-Day é um título feito para quem valoriza a jogabilidade em primeiro lugar. O game resgata o espírito dos grandes shooters da era do XBOX 36 0: direto ao ponto, divertido e visceral, independentemente da história ou de outros detalhes secundários. Os grandes acertos ainda ficam para a dinâmica do Esquadrão Bravo , a qualidade gráfica impressionante e uma direção de jogo que coloca a ação e a diversão em primeiro lugar. *Gears of War: E-Day foi avaliado em cópia digital gentilmente cedida ao Canaltech pela XBOX Brasil

Review Gears of War: E-Day | Dia da Emergência entrega beleza e brutalidade
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Gears of War: E-Day Review
Gears of War: E-Day Review · Imagem: Edição/Canaltech