Irresistível. Nós, 200 milhões de brasileiros – sábios técnicos de futebol e imbatíveis marqueteiros políticos – não resistimos às análises perfeitas de causas que fizeram candidatos ou times de futebol tropeçarem em campo, nas urnas.Faltaram votos ou gols porque os ditos-cujos nãoutilizaram as fórmulas mágicas em nosso exclusivo poder. Somos especialistas em “profetar” o passado.Desde domingo à noite, despejamos nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp nosso palpitródomo sobre o que hidratou o Coisinho no primeiro turno de votação.Moleza “revisar” o acontecido. É o jogo do se-fosse…No dia seguinte, jogo jogado, o SE sai da peleja, não conserta mais nada. Talvez até tenha alguma serventia pro futuro. Vai que campanhas de um e outro abram a caixinha de perguntas pra que nossos teria-que-ser-assim sejam aproveitados na nova e decisiva votação. Vai que…Aqui, no meu insignificante milionésimo espaço na caixinha de perguntas, docemente, indago: Por que soltamos o Lula raivoso e numa campanha sisuda? Por que retomamos o vermelho? Características ditas rejeitadas justamente pelos votantes que faltaram ao PT.A vitória veio em todas as campanhas em que Lula e o PT privilegiaram a alegria, o pacífico branco. Desta vez, deixamos o tom relax pro adversário mentiroso. Ensinamos. Eles aprenderam. Nós esquecemos?Emprestando da Anita: Pega o meu balanço, mas não se lambuza que eu nunca dei mole pra filha da pu…Verdade que Lula, o PT, as esquerdas e uns bons milhões de democratas estão encarando a onda ultra conservadora mundial, acolá e aqui, azeitada pela costumeira Mídia tradicional, calhorda como sempre, além da montanha de dólares de Mister Trump e os seus. O Brasil, suas riquezas, sua postura na geopolítica mundial são pontos chaves pros do outro lado.Momento difícil? É. Mas nunca foi fácil.A gente avança aqui. Eles vêm babando de lá. Zero novidade. Sempre foi e será assim.Pra celebrar. Erika Hilton (PSOL/SP), trans e travesti, foi a mulher mais votada na história da Câmara dos Deputados e a terceira entre os 50 federais mais votados. Na mesma lista, o pequeno PSOL somou 9 deputados. (Tem o tal do coeficiente eleitoral?)Erika é autora do projeto que acaba com a draconiana escala de trabalho de 6X1 no Brasil.Ana Elisa Santos (PT/MG), 21 anos, criadora de conteúdo, preta da periferia da Belo Horizonte, em sua primeira eleição, foi a segunda deputada federal mais votada de Minas Gerais. Está convocada para a campanha de agora.Se há quem vota com o descompromisso de quem escolhe jurado para o Programa Raul Gil e elege exóticos como os deputados federais Delegado Caveira (PL-PA) ou Bolsonaro Shopee (Novo-MT), ou o perdedor Plinio Trump (Novo/MG), sósia do demônio americano, que só conseguiu 161 votos, há a resistente e digna Luísa Erundina, nordestina porreta, que, aos 91 anos, foi reeleita deputada Federal (PSOL/SP) para seu sétimo mandato. Antes foi vereadora, deputada estadual e prefeita de São Paulo.Pra saber: Os muitos que votaram de preto, no domingo, seguiam um combinado. Eram bolsonarista de armário. Mais confortável, né?A mediocridade convoca, atiça e fortalece a resistência. O fundo do poço nunca é infinito. Dá sempre para achar chão firme, tomar impulso e subir de novo. O jogo (da vida, inclusive) só acaba quando termina.Bora!





