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Míriam Leitão

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Operação Crédito Oculto: Receita Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados — Foto: Receita Federal
A terceira fase da Operação Carbono Oculto, a Crédito Oculto, tem dois ângulos muito importantes. O primeiro é abrir uma nova frente de trabalho para os órgãos de controle do Brasil no combate à infiltração das facções criminosas, particularmente do PCC, na economia formal, especialmente no mercado de combustíveis e operadores do mercado financeiro, a investigação tem como alvo um diretor da Genial Investimentos. O outro ponto é a revelação de um elo entre dois esquemas criminosos: o do Banco Master e o do PCC.
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Um dos alvos da operação desta quinta-feira é Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Freixo assinou uma delação premiada sobre o Caso Master. Foi ele quem comprou as malas para entregar propina em dinheiro vivo em nome de Vorcaro e também o responsável pelo envio dos milhões de reais para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Descrito como “pioneiro nas Bahamas”, em razão de estruturas offshore que teria montado no país caribenho, Freixo também foi o responsável pelo desvio de recursos do banco de Vorcaro para o exterior. Esse dinheiro agora está sendo rastreado pelo liquidante do Master para ressarcir o passivo deixado pelo banco, como contei aqui no domingo.
A Receita Federal diz que “a investigação constata a construção e a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, não apenas pela organização criminosa atuante em todo o setor de combustíveis, mas essencialmente por operadores do mercado financeiro que prestam serviços de lavagem de capitais, consistindo em verdadeiras convergências criminosas à disposição de múltiplos grupos criminosos”.
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A investigação aponta ainda que a empresa financeira empregada na aquisição simulada da empresa sucroalcooleira movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Esse volume financeiro, segundo a Receita, “reforça os indícios de uso de uma estrutura financeira e de investimentos para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais”.
A ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados: 26 delas em São Paulo e uma em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O número e a dispersão dos alvos mostram a complexidade e a extensão dessa organização criminosa.
A dez dias da eleição, em um cenário polarizado, a operação também demonstra que os órgãos de controle continuam funcionando de forma coordenada, independentemente da política.
Esta fase da operação é uma ação conjunta da Receita Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, da Polícia Militar e da Polícia Civil. Os órgãos deflagraram a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, com o apoio dos Gaecos dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
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