Economia

PEC que trata do tema entra nesta terça-feira em etapa decisiva de tramitação no Congresso Nacional

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Carteira de trabalho: proposta sobre fim da jornada 6x1 vai a plenário — Foto: Roberto Moreyra/Agência O Globo
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6x1 entra nesta terça-feira (dia 6) em uma etapa decisiva de tramitação no Congresso Nacional, com a primeira de cinco sessões de discussão antes da votação em plenário. A medida, que é uma das bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conta com amplo apoio popular. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. Segundo o levantamento, 78% dos brasileiros são a favor da mudança, sendo 63% totalmente favoráveis e 15% parcialmente favoráveis.
Apesar disso, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), já disse que a aprovação da PEC ficou mais difícil, diante do resultado das eleições no primeiro turno, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, além do PL a caminho de formar a maior bancada do Senado a partir de 2027.
O apoio à medida ocorre tanto entre pessoas que trabalham na escala 6x1, quanto entre aquelas que não estão submetidas a esse modelo. Entre as justificativas para a posição favorável, a mais citada é a de que o trabalhador merece ter mais tempo para si e para a família, apontada por 66%. Na sequência aparecem muitos não descansam porque na folga precisam cuidar da casa e dos filhos (53%), o trabalhador não consegue descansar de verdade em apenas um dia (49%) e o trabalho 6x1 adoece o trabalhador (38%).
Qualidade de vida
Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, a pesquisa mostra que o debate sobre a escala de trabalho vai além da duração da jornada e envolve qualidade de vida.
— Se, no surgimento da classe C, o grande aspiracional era o consumo, hoje o aspiracional é o tempo. É ter dignidade, ser dono do próprio tempo e decidir o que fazer com ele. É nesse contexto que a grande maioria defende a redução (da escala 6x1). Não é uma pessoa defendendo algo por si mesma. O número de brasileiros que trabalha nessa escala é bem menor do que os 78% que apoiam a mudança — afirma Meirelles.
Segundo a pesquisa, 71% dos brasileiros afirmam que a escala 6x1 dificulta a manutenção de hábitos saudáveis, enquanto 78% concordam que é difícil descansar de verdade trabalhando nesse modelo. Além disso, 83% avaliam que as pessoas estão vivendo cada vez mais cansadas, 81% acreditam que descansar se tornou um privilégio que muitos trabalhadores não têm, e 85% concordam que muitas pessoas sacrificam saúde e lazer para manter a renda. Entre as mulheres, esse último percentual chega a 89%.
A pesquisa “Escala de trabalho 6x1”, realizada entre os dias 2 e 8 de junho, ouviu 1.030 brasileiros com 18 anos ou mais, em todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.
Modelo prejudica saúde, dizem trabalhadores
Entre as pessoas que trabalham na escala 6x1, 67% afirmam que a jornada prejudicou sua saúde mental. Outros 62% relatam piora na saúde física, enquanto 63% dizem que a escala comprometeu sua vida de forma geral.
O presidente o Instituto Locomotiva explica que que a escala 6x1 vem junto de um ambiente de muita cobrança, como por performance, desempenho e velocidade para realizar as tarefas.
— São profissões que também estão relacionadas a um ambiente de estresse muito grande e à falta de tempo para conseguir desopilar e descansar. Fora que existe uma outra questão, que é especialmente forte em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro: o tempo que você perde no trânsito. A redução da jornada não te tira apenas o horário de trabalho, mas também a uma hora que o trabalhador tira para sair e voltar de casa (para o trabalho), que é uma hora que não é remunerada. Ninguém paga por essa hora.
A pesquisa aponta ainda que os efeitos da jornada se refletem em diferentes aspectos da rotina. Entre os trabalhadores submetidos ao modelo, 69% apontam o tempo com a família como um dos aspectos mais impactados, seguido por sono e descanso (61%), lazer e hobbies (55%), vida social e amigos (55%), saúde mental e emocional (54%), estudos e qualificação profissional (47%) e prática de exercícios físicos (44%).
— A pessoa que trabalha no 6x1 quer ter direito não apenas a mais tempo para a família, mas eventualmente também a fazer outro trabalho. Tudo isso está relacionado ao direito sobre o próprio tempo. A hora é o grande ativo econômico dos brasileiros, em especial dos brasileiros de menor renda, que são aqueles que trabalham no 6x1 — avalia Meirelles.
Medo de aumento de preços
A pesquisa mostra que, entre os que são contra a mudança da escala 6x1 para 5x2, o receio de aumento dos preços em razão de um possível repasse dos custos trabalhistas para a população é citado por 69%.
De modo geral, 48% dos brasileiros concordam que a mudança fará com que os empresários repassem os custos trabalhistas para os consumidores.
Meirelles avalia que toda mudança passa por um processo de adaptação, assim como ocorreu em outras transformações nas relações de trabalho e também com avanços tecnológicos.
— Qualquer mudança tem esperanças e tem medos. Do mesmo jeito que houve a esperança de ter férias remuneradas ou não, 13º salário ou não. Obviamente, isso vai trazer processos de ajustes, e esses ajustes serão desenvolvidos no dia a dia, como acontece com qualquer outra mudança, quando, por exemplo, você fecha caixas nos supermercados para substituí-los por caixas de autosserviço — explica Meirelles.
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