Entrevistados afirmam que eleitorado se preocupa muito mais com questões como segurança e combate à corrupção

22 set 2026 - 04h58

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- Por: Vanessa Ortiz

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista coletiva na sede da ONU, nos Estados Unidos, em 2025

Foto: Reprodução/CanalGov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve exaltar a soberania e a falta de liderança de grandes potências mundiais no durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 22. No entanto, esse enfoque pode descolar o mandatário e candidato à reeleição do que o eleitor quer ouvir, segundo especialistas ouvidos pelo Terra.

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Essa é a 10ª participação de Lula no evento que reúne 193 Estados-membros. Seguindo a tradição, o político será o responsável por abrir os discursos.

Na última quinta-feira, 17, em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente bateu o martelo e afirmou que vai enfatizar que o Brasil “não se curvará à arrogância” e que o País “vai fazer aquilo que é de interesse do povo brasileiro”. Além disso, ele afirmou que vai tratar também da economia global, falta de representatividade do Conselho de Segurança da ONU e da questão das guerras.

Lula parece seguir o rito dos demais discursos de representantes brasileiros na assembleia geral, pois aborda o panorama geral do que está acontecendo com o mundo, a partir da perspectiva brasileira, e também algo mais voltado para o público doméstico, com um balanço do que já foi feito pelo governo. É o que aponta o doutor em ciências políticas Maurício Santoro.

Inclusive, a questão da soberania é um dos temas de sua campanha à reeleição, partindo da relação estremecida com os Estados Unidos devido às sanções econômicas e também contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No ano passado, a temática também elevou a popularidade de Lula, ainda mais diante da oposição, que acabou caindo na armadilha de defender as tarifas de Donald Trump.

“Faz sentido para o Lula, dentro do momento que ele está vivendo, colocar isso em destaque. Agora, a questão é que está sendo uma eleição bastante difícil para o presidente. O eleitor não está respondendo muito a essa demanda relativa à soberania", avalia.

Lula abrirá novamente a Assembleia Geral da ONU

Foto: Taylor Hill / Getty Images
Segundo ele, o eleitor está mais ligado a questões ligadas à corrupção, à segurança pública, aos problemas na economia. Ou seja, o discurso parece enfraquecido. Um dos fatores que contribui para isso é o escândalo do Banco Master.
O atual governo acabou atingido pela corrupção atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, justamente pela associação da imagem de Lula ao ministro Alexandre de Moraes, que teria trocado mensagens com o investigado. O magistrado já não era visto com bons olhos pelos eleitores bolsonaristas por ser o relator do processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
“Pode ser um discurso um tanto descolado realmente daquilo que o eleitor quer ouvir, né? Daquilo que está fazendo ali um impacto maior hoje na eleição. Mas assim, dentro da realidade que o Lula está enfrentando agora, sair do Brasil por alguns dias no meio dessa crise muito forte do Supremo é uma chance de ele tentar se descolar um pouco e assumir ali uma postura mais ligada realmente na função de presidente, de mostrar os interesses do Brasil no exterior”, explica Santoro.
Regiane Nitsch Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), concorda que trazer a questão da soberania novamente traz um risco de saturação retórica, ou seja, de perder o seu impacto perante o eleitorado nessa fase final da candidatura, embora atue em grandes frentes eleitorais, como a mobilização de base aliada, o enquadramento nacionalista contra a oposição — que visa também atrair setores do centro que rejeitam a subordinação geopolítica ou o intervencionismo externo.
Desvantagens com relação ao oponente
A temática ainda pode trazer desvantagens frente ao avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Segundo Regiane, ao insistir nas sanções e tarifas, o governo mantém os holofotes nos impactos negativos das medidas sobre as atividades econômicas internas e traz uma fadiga da responsabilização ao atribuir sanções externas a articulações de adversários políticos.
Além disso, a professora explica que discutir a diplomacia em palanque afasta a campanha de áreas onde a gestão federal prefere pontuar, como os programas sociais, dados de emprego. “[Tal viés] pode acabar dando espaço para o Flávio focar em críticas à segurança pública e à gestão fiscal”, finaliza.
Fonte: Portal Terra
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