O governo dos Estados Unidos planeja colocar em prática uma medida associada a países que realizam execuções públicas, como Irã e Afeganistão, e a grupos extremistas como o Estado Islâmico: transmitir ao vivo a execução de um condenado à morte.O anúncio do Pentágono sobre o caso do militar Nidal Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base de Fort Hood, no Texas, em 2009, provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU), que considera a transmissão uma violação da proibição absoluta da tortura.A decisão foi anunciada na quinta-feira (8/10) pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. Segundo ele, a execução será aberta ao público para que as pessoas compreendam que existem consequências graves para crimes como os cometidos por Hasan. Em comunicado posterior, o Pentágono confirmou que o procedimento, por pelotão de fuzilamento, também será transmitido pela internet.Nesta sexta-feira (9/10), o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou, em declaração à agência de notícias francesa AFP, que execuções públicas constituem tratamento ou punição cruel, desumana e degradante. Para o órgão, a transmissão ao vivo equivale a uma execução pública e viola a proibição internacional da tortura.“A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura”, declarou o Alto Comissariado.A manifestação aproxima o caso estadunidense das críticas a práticas adotadas em países como Irã e Afeganistão, onde execuções públicas já foram condenadas pelas Nações Unidas.3 imagensFechar modal.1 de 3Escudo das Américas foi criado durante o governo atual de Donald Trump, dos EUAMolly Riley/Casa Branca2 de 3Secretário de Guerra diz que "nenhum navio sai de Ormuz sem permissão dos EUA"Andrew Harnik/Getty Images3 de 3Secretário de Defesa dos EUA, Pete HegsethAndrew Harnik/Getty ImagesMassacre de Fort HoodEm 5 de novembro de 2009, Nidal Hasan, psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, abriu fogo na base militar de Fort Hood, no Texas.O ataque deixou 13 mortos e 32 feridos.Hasan levou uma arma de fogo pessoal para a instalação militar e, posteriormente, afirmou ter cometido o ataque para travar uma jihad contra o que considerava guerras ilegais e imorais conduzidas pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque.O massacre ocorreu no contexto das operações militares americanas iniciadas após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.Durante a corte marcial, Hasan confessou os assassinatos.Em 2013, foi condenado por 45 crimes de homicídio premeditado e tentativa de homicídio premeditado e recebeu a pena de morte.Execuções públicasPoucos países mantêm atualmente a prática de execuções públicas. A Anistia Internacional já destacou casos em que execuções no Irã e na Arábia Saudita foram filmadas por espectadores.O Estado Islâmico, por sua vez, ganhou notoriedade durante a guerra civil na Síria pela divulgação de vídeos de execuções de prisioneiros. A publicação dessas imagens era usada pelo grupo para propagar sua ideologia e ampliar o impacto psicológico da violência.A transmissão de ataques em tempo real também aparece em episódios de terrorismo cometidos por indivíduos que agem isoladamente, conhecidos como “lobos solitários”. A proposta americana, entretanto, tem uma diferença central: a divulgação seria promovida pelo próprio Estado durante a execução de uma pena determinada pela Justiça militar. Leia também MundoGoverno Trump promove primeiro fuzilamento público nos EUA em 90 anos MundoTrump aprova fuzilamento de autor de massacre em base militar dos EUA Além de defender a publicidade do procedimento, Hegseth destacou o simbolismo histórico do método escolhido. Hasan deverá ser morto por um pelotão de fuzilamento, procedimento utilizado por militares americanos pela última vez durante a Segunda Guerra Mundial.Ao comentar a escolha, o secretário de Defesa afirmou gostar da “mentalidade que tínhamos [os EUA] na Segunda Guerra Mundial”.

Pete Hegseth - Metrópoles
Pete Hegseth - Metrópoles · Imagem: Andrew Harnik/Getty Images
EUA segue Irã e Estado Islâmico e vai transmitir execução pública ao vivo - destaque galeria
EUA segue Irã e Estado Islâmico e vai transmitir execução pública ao vivo - destaque galeria · Imagem: Source: www.metropoles.com
Secretário de Guerra diz que "nenhum navio sai de Ormuz sem permissão dos EUA"
Secretário de Guerra diz que "nenhum navio sai de Ormuz sem permissão dos EUA" · Imagem: Source: www.metropoles.com
Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth
Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth · Imagem: Source: www.metropoles.com
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EUA segue Irã e Estado Islâmico e vai transmitir execução pública ao vivo
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