São Paulo, Brasil“Acho que é pelo calor. O gol é o mais importante do futebol, e a comemoração é uma coisa linda. Mas às vezes é importante se poupar, porque é um calor imenso. “Faz parte, cada um tem sua cultura. A gente, no Brasil, está acostumado sempre com festa. Bastante calor, mas o que pesa é o mormaço. Não tem como jogar num ritmo rápido sempre, porque o calor atrapalha. Mas a gente soube lidar bem e conseguir a vitória.”Sim, você leu muito bem.Samuel Lino disse que estava muito calor, hoje, em Calcutá, para que os jogadores comemorassem de maneira vibrante os quatro gols da Seleção.Sim, gols da Seleção Brasileira.Samuel Lino fez dois, Pedro um e Estêvão outro.Eles pareciam não só sentir calor, mas vergonha de comemorar. Por conta da fragilidade indiana, na burocrática vitória por 4 a 0, de hoje.Para a Seleção, as Datas-Fifa deveriam ser sagradas.O país pentacampeão do mundo tenta voltar, desesperadamente, a formar uma equipe competitiva, vencedora, que mereça respeito.São 24 anos de jejum em Copas.Eliminada do último mundial nas oitavas, pela Noruega.O time de Carlo Ancelotti foi a maior desilusão no torneio.O treinador italiano não conseguiu provar porque é o maior vencedor de todos os tempos, com cinco Champions.A desculpa foi que não teve tempo para trabalhar, um ano não foi suficiente para montar um grande time.E que aproveitaria o novo ciclo, de quatro anos, para mostrar sua capacidade.Só que, logo nesta primeira Data-Fifa, com adversários escolhidos para a CBF, para dar confiança ao novo time, tentar aproximar os torcedores desiludidos da Seleção, os dirigentes exageraram. Pensaram no dinheiro que Austrália e Índia poderiam proporcionar e jogaram no ralo esses 17 dias, com três partidas.Empatar, no último minuto, no primeiro jogo contra a Austrália, em 1 a 1. Ganhar por 4 a 2 a segunda partida, nos contragolpes. E ganhar hoje, em ritmo de treino, com desprezo à fragilidade da Índia. O que sobra destes amistosos?A constatação que a geração brasileira é fraca, junta coadjuvantes milionários, com um treinador laureado, mas que não está conseguindo compreender que não há talento para fazer o Brasil jogar o seu imaginário futebol ‘alegre’, com apenas dois marcadores no meio-campo e quatro atacantes.Além disso, o motivo de preocupação real é a falta de humildade, de vibração, de cana, de competitividade, de jogadores com a camisa da Seleção.O que fizeram hoje diante da Índia, 138ª colocada no ranking da Fifa, foi revoltante. Se viram diante de jogadores muito fracos e, mesmo disputando uma vaga fixa neste novo ciclo até a Copa de 2030, se limitaram a trocar passes, evitar divididas, fugir dos dribles. Passaram a sensação de falta total de interesse no jogo. Tiveram preguiça até na hora de comemorar os quatro obrigatórios gols. Aliás, três deles em falhas dos deploráveis goleiros indianos.Ancelotti fez sim, vários testes durante a partida. Mas a Seleção atuou com três jogadores no meio-campo, mais equilibrada. Os atletas são muito informados hoje em dia. E instintivos. Viram que os indianos eram fraquíssimos. Não só na técnica, como no físico. Então trataram de se comportar como se fosse um coletivo diante de uma equipe sub-20. Como estava calor em Calcutá, passaram a trocar passes. Sabiam que a goleada viria naturalmente.O pior da Seleção foi justamente aquele que mais os indianos cultuaram, trataram como um ídolo maior. Vinicius Júnior.O jogador passa por péssima fase. Sem força física para arranques, dribles.Foi o mais egoísta, perdeu vários ataques brasileiros.E quanto mais perdia, mais tentava.Ancelotti perdeu a paciência várias vezes no banco.Teoricamente, era o jogo para ele mostrar que mereceu um dia ser o melhor do mundo.Mas foi o pior, disparado.Algo muito sério acontece com Vinicius Júnior.O treinador do Real Madrid, José Mourinho, também já se cansou de seu fraco futebol neste reinício de temporada europeia.Endrick outra vez mostrou pura afobação. Nada criou, atrapalhou ataques, mostrou egoísmo nos minutos que entrou no segundo tempo.O melhor foi Samuel Lino, que parecia ser o único jogador a levar a sério o amistoso.Sim, o mesmo que fez dois gols e se poupou na comemoração.Mesmo marcando pela Seleção Brasileira.A CBF precisa mostrar competência.E arrumar maneiras para enfrentar adversários ‘de verdade’.Driblar a Liga das Nações, convencer países europeus a amistosos.Os dirigentes que pressionem a Fifa, façam o que tiverem de fazer.Porque o caminho lembra muito o traçado para a Copa de 2018 e 2022, se enganando, atuando contra adversários fracos. E quando teve os fortes pela frente, caiu.Esta Data-Fifa foi desperdiçada.A de novembro, terá o Japão, um pouco mais competitivo.Em compensação, depois virá Singapura.Singapura.Para quê?Para os jogadores economizarem suor na hora dos gols?O Brasil começa muito mal seu ciclo para 2030...









