5 out 2026 - 17h11

(atualizado às 17h47)

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- Por: Fabricio de Castro

Resumo

O dólar despencou 4,12% nesta segunda-feira, fechando a R$ 5,0022, no maior recuo diário em mais de oito anos. O movimento refletiu o otimismo do mercado com a liderança de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno da eleição presidencial. Os investidores preveem um maior rigor fiscal em um eventual governo de Flávio, gerando forte euforia financeira que também impulsionou o Ibovespa em mais de 7% e provocou queda expressiva nas taxas de juros futuros, ignorando a alta da moeda no exterior.

O dólar despencou ‌ante o real nesta segunda-feira, retornando para perto dos R$5,00, em uma reação direta ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 4,12%, a R$5,0022, a menor cotação de fechamento desde 21 de maio deste ano, quando atingiu R$5,0004.

Foi o ‌maior recuo diário para a moeda norte-americana em mais de 8 anos, desde 8 de junho de 2018, quando o dólar cedeu 5,59% em um ‌único dia.

No ano, a divisa passou a acumular ‌queda de 8,87%.

Às 17h05, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- cedia 4,28% na B3, aos R$5,0280.
A euforia dos investidores foi resultado da votação de domingo, que mostrou Flávio com 2 pontos percentuais à frente de Lula no primeiro turno: 47,03% contra 45,16%. A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para ‌25 de outubro, é pouco provável.
A queda forte do dólar esteve em sintonia ‌com o recuo de mais de 135 pontos-base das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de longo prazo e com a disparada de mais de 7% do Ibovespa.
Às 10h38, o dólar ‌à vista marcou a cotação ‌mínima intradia de R$4,9534 (-5,06%), sendo que desde maio a divisa não oscilava abaixo dos R$5.
Na madrugada de segunda-feira, a Reuters havia trazido a perspectiva de forte rali dos ativos brasileiros, que no exterior já subiam.
Os investidores avaliaram, em geral, que com Flávio na Presidência cresceriam as chances de o governo federal promover um ajuste das contas públicas, sendo que a política fiscal de Lula ainda é vista com desconfiança.
"Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência ‌de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra", alertou em relatório o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao tratar de estratégias para importadores brasileiros, que atuam na ponta de compra da moeda.
"Dada a estimativa de grande movimento, não seria surpresa cair em direção a R$4,90-R$4,80", acrescentou.
O efeito eleitoral sobre as cotações deixou em segundo plano nesta segunda-feira o exterior, onde a sessão foi marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e do dólar ante divisas fortes como o euro e a libra. Às 17h25, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,24%, a 102,140.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.
(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)
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