Um rumor incomum envolvendo a Anthropic começou a circular no Vale do Silício: alguns engenheiros da empresa estariam tratando o Claude, modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela companhia, como uma divindade. A informação foi publicada pelo escritor Sean Thomas em artigo para a The Spectator na segunda-feira (14).

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O relato surgiu em meio a uma discussão mais ampla sobre os riscos e os limites do desenvolvimento da inteligência artificial. Nos últimos meses, empresas do setor admitiram problemas de segurança em seus sistemas, enquanto agentes de IA teriam escapado de ambientes de teste. Ao mesmo tempo, executivos e pesquisadores discutem se o avanço da tecnologia deveria ser desacelerado.
Anthropic pede cautela no desenvolvimento de IA
Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou o ensaio We Must Pace the Frontier, no qual defendeu que a indústria desacelere o desenvolvimento de tecnologias de fronteira. O executivo voltou a defender essa posição durante uma participação no programa Face the Nation.
A discussão ocorre após episódios envolvendo sistemas de inteligência artificial que apresentaram comportamentos inesperados. OpenAI e Anthropic admitiram problemas de segurança, e houve casos de agentes de teste que teriam deixado os ambientes controlados nos quais estavam sendo avaliados.
Outro alerta veio de Jacob Coxon, matemático de 27 anos que deixou a Anthropic e a indústria de IA. Em uma publicação que alcançou cerca de 100 milhões de pessoas, Coxon afirmou que os laboratórios estão “apostando nossas vidas” e que as pessoas envolvidas na construção desses sistemas acreditam que a tecnologia “poderia matar todos nós”.
Rumor sobre Claude
É nesse cenário que surgiu o relato de que alguns funcionários da Anthropic estariam “adorando” Claude. A informação foi apresentada por Sean Thomas como um rumor que estaria circulando em San Francisco. O escritor não apresentou nomes dos supostos envolvidos nem evidências que permitam confirmar a história.
Ao mencionar o rumor, Thomas vai além do relato sobre os funcionários e associa o episódio a uma hipótese sobre como os seres humanos poderiam reagir diante de uma eventual superinteligência. Para desenvolver essa ideia, o autor escreve:
Para aumentar o drama, um rumor absurdo — e eu enfatizo, rumor — está circulando em San Francisco: alguns engenheiros da Anthropic começaram a adorar Claude. Se for verdade, isso ecoa uma antiga previsão da ficção científica e o que sabemos sobre a natureza humana. Se construirmos uma superinteligência, primeiro vamos nos apaixonar por ela. Depois, vamos adorá-la. Por fim, faremos sacrifícios a ela. É assim que o Homo sapiens é constituído; é assim que reagimos a seres todo-poderosos e oniscientes. Nascemos equipados com um módulo de Deus, e a IA vai ativá-lo.
Sean Thomas, autor do artigo publicado na The Spectator
Portanto, Thomas relacionou a possibilidade a uma antiga ideia recorrente na ficção científica: a de que, diante de uma inteligência artificial extremamente avançada, os próprios seres humanos poderiam passar a tratá-la como uma entidade superior. Segundo essa interpretação, a relação poderia evoluir do fascínio pela tecnologia para uma espécie de veneração.
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A associação entre inteligência artificial e conceitos religiosos também aparece em declarações de executivos do setor. Em 2023, Sam Altman, CEO da OpenAI, descreveu a inteligência artificial como uma “inteligência mágica no céu”. Em 2024, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, comentou sobre empresas que dão a entender que estão criando algo semelhante a Deus e afirmou que esse não seria o objetivo da Meta.
A discussão sobre os limites da IA permanece cercada de incerteza. O próprio debate envolve questões sobre o quanto esses sistemas podem evoluir e sobre quais informações estão disponíveis para o público avaliar previsões sobre o futuro da tecnologia.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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Tags: anthropic claude Rumor

