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Campanhas entram na reta final do 1º turno com Lula tentando recuperar votos de 2022 e Flávio em busca de concentrar voto da direita
Campanhas entram na reta final do 1º turno com Lula tentando recuperar votos de 2022 e Flávio em busca de concentrar voto da direita · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Petista prepara ofensiva sobre custo de vida, bets e ataque ao adversário, enquanto candidato do PL aposta em voto útil, economia e segurança e monitora fatos que possam alterar o rumo da campanha

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Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). — Foto: Edilson Dantas / Maria Isabel Oliveira / O Globo

Os principais candidatos da eleição presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), entram na última semana antes do primeiro turno com estratégias diferentes para avançar sobre parcelas do eleitorado. Enquanto o petista tenta recuperar votos que teve em 2022, com possível migração diretamente do adversário, Flávio intensifica o apelo pelo voto útil para concentrar já na primeira rodada a preferência do eleitorado de direita, esvaziando assim candidatos do mesmo campo político.

A uma semana da votação, os dois também preparam mensagens finais para a televisão, ajustam as estratégias nas redes sociais e monitoram possíveis fatos capazes de alterar o roteiro da disputa nos dias que antecedem a eleição.

Do lado petista, a campanha de Lula busca mobilizar os que embarcaram na chamada "frente ampla" há quatro anos e agora apoiam outras candidaturas. O objetivo é tentar recuperar esse eleitor antes que ele se consolide em Flávio ou em outro nome da oposição. Ao mesmo tempo, o PT tenta desgastar o adversário entre os eleitores de candidatos da terceira via, explorando episódios da trajetória de Flávio e sua relação com Daniel Vorcaro.

Idosos, mulheres e jovens

O petista vai mirar a atração de grupos específicos como idosos, mulheres e jovens. A campanha também fará uma ofensiva para especialmente o eleitor com mais de 70 anos, considerado mais simpático a Lula, saia de casa para votar. No caso das mulheres, a ofensiva mira as mães de classe média, beneficiárias do Bolsa Família e chefes de família. Neste último grupo, 47% das mulheres dizem votar em Lula e 27% em Flávio, segundo Datafolha.

Outra preocupação da campanha é consolidar o eleitor que decidiu votar em Lula nos últimos dias, mas ainda pode mudar de lado ou mesmo desistir de votar, o que ampliaria abstenção.

Já Flávio tem feito apelos para que eleitores que pretendiam escolher outros nomes da direita antecipem para o primeiro turno uma decisão que poderiam tomar apenas em um eventual segundo turno.

O movimento mira especialmente os eleitores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Juntos, os quatro somavam 14% na última pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (23).

A campanha de Flávio também sondou interlocutores ligados a Cury, Caiado e Zema sobre a possibilidade de uma composição antes da votação, mas encontrou resistência. Nenhum dos três sinalizou intenção de abandonar a disputa.

A pressão, por sua vez, provocou reação dos adversários. Flávio tem evitado devolver os ataques na mesma intensidade. A estratégia é falar diretamente com seus eleitores e se apresentar como o nome da direita capaz de concentrar votos contra Lula. O movimento também será levado às agendas da última semana, com viagens a estados onde estão adversários diretos na disputa pelo voto da direita.

No domingo, em agenda em Goiânia, Flávio candidato disse não considerar os demais presidenciáveis seus adversários no estado e fez um apelo direto a quem pretende apoiá-lo apenas em um eventual segundo turno para antecipar o voto.

Um jingle preparado para os últimos dias reforça essa mensagem ao repetir o trecho "a hora é agora, não deixe pra depois". No rádio e na televisão, a campanha também pretende trabalhar a ideia de união. Em outra frente, uma inserção tenta alcançar eleitores de direita que se afastaram de Jair Bolsonaro, com uma mensagem dirigida a quem "ficou chateado com o Jair" ou está "decepcionado com o Lula".

Na TV, duas estratégias para a última semana

A disputa pelo eleitor ainda em dúvida também aparece na escolha do que Lula e Flávio levarão ao horário eleitoral. O petista prepara uma ofensiva com foco em custo de vida, bets, segurança pública e ataques à trajetória do adversário. A intenção é combinar temas ligados a problemas concretos das famílias com peças destinadas a ampliar a rejeição a Flávio.

Lula começou a gravar as peças finais na quarta-feira, antes de viajar ao Rio para cumprir agenda com artistas e participar de um comício em São Gonçalo. A última etapa das gravações está prevista para segunda-feira. A campanha também pretende usar trechos do discurso feito pelo presidente na abertura da Assembleia Geral da ONU para reforçar a imagem de estadista.

Flávio fará um movimento diferente. A campanha decidiu reduzir o espaço do caso Master no horário eleitoral e concentrar os últimos programas em economia, endividamento e segurança pública. A avaliação é que a televisão deve servir para alcançar eleitores menos engajados na disputa política, enquanto o confronto sobre Vorcaro e as respostas às novas informações envolvendo o caso podem ser feitos com mais velocidade nas redes.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão segue até quinta-feira, 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para este domingo. Caso haja segundo turno, a transmissão será retomada em 9 de outubro e seguirá até o dia 23, dois dias antes da votação de 25 de outubro.

A campanha de Flávio chega aos últimos dias também tentando controlar o que não está sob seu comando. A preocupação interna é que algum fato novo obrigue o candidato a mudar de assunto justamente na semana em que pretende concentrar o discurso no voto útil, na economia e na segurança.

O principal ponto de atenção é o caso Dark Horse. Aliados avaliam que Flávio conseguiu atravessar as primeiras revelações e retomar trajetória nas pesquisas pouco depois, mas se preocupam com o tema. Essa preocupação se tornou ainda mais evidente depois que veio a público que Flávio usou, em janeiro de 2025, um avião ligado a Vorcaro para voltar dos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. O candidato nega qualquer irregularidade e afirma que, à época, entendia que a aeronave pertencia ao advogado Willer Tomaz, seu amigo e também cotista do jato.

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