Annis Neme Bassith (Itapecerica SP, Distrito de M’Boy 16 de Novembro de 1927 – Embu das Artes SP, 04 de Abril de 2022) foi um comerciante, contador, administrador de imóveis e político brasileiro. Seu nome integra a lista de emancipadores da Associação Cívica de Embu (1958), sendo um dos últimos deste seleto grupo a falecer. Foi vereador em quatro mandatos (dois em Itapecerica da Serra e dois em Embu), além de ter sido presidente da Câmara, e prefeito de Embu por duas vezes.
Biografia Filho de imigrantes libaneses, o comerciante Salim Neme Bassith e da artista plástica Alexandrina Bechara Bassith, Annis Neme Bassith, nasceu no dia 16 de novembro de 1927, no largo 21 de Abril (centro de Embu), em casa onde hoje é uma agência do Banco do Brasil. Antes de iniciar seu próprio negócio, trabalhou por 14 anos como vendedor na CIPRA – Companhia Importadora de Produtos Americanos, empresa de peças para automóveis sediada em São Paulo.
Histórico Político
Iniciou na política aos 24 anos como vereador em Itapecerica da Serra – como representante do distrito de M’Boy - sendo eleito por duas vezes, a primeira em 1951 (2a legislatura 1952-1955), com 61 votos; e reeleito em 1955 (3a legislatura 1956-1959), com 145 votos, o mais votado da Itapecerica até então. Annis foi um dos fundadores da Associação Cívica de Embu, entidade criada em 17 de março de 1958 na casa do Dr. Carlos Koch, na Rua Projetada (hoje Rua da Emancipação, 125), onde reuniram-se embuenses ilustres para lutar pela emancipação. Esse grupo contava com personalidades de diversas áreas, inclusive com o apoio e a orientação de Cândido Motta Filho, advogado, professor, jornalista, ensaísta, político e membro da Academia Brasileira de Letras. Em 21 de novembro de 1958 foi realizado um plebiscito para saber a opinião dos moradores sobre o assunto. Annis Neme Bassith, Raphael Games Cadenete, Santiago Games Robles e Dr. Carlos Koch tudo fizeram para que o plebiscito fosse um sucesso. A emancipação foi apoiada pela maioria dos embuenses. Em pouco mais de um ano, o então distrito de Itapecerica da Serra virou cidade. Após a criação do município, pelo então governador, Jânio Quadros, Annis disputou a primeira eleição de Embu. Annis foi pioneiro na imprensa local e regional, ao assumir o jornal “O M’Boy”, fundado por Mário Osassa em fevereiro de 1959, no esteio da Emancipação. O jornal pretendia ser um novo veículo de comunicação e informação da cidade recém-nascida. Pouco depois Annis assumiria a redação e direção do jornal, que mudou de nome para ‘Folha de Embu’, testemunhando os fatos da cidade e da região desde aquela época.
Primeiras eleições da cidade de Embu A primeira eleição municipal para os poderes Executivo e Legislativo ocorreu no dia 4 de outubro de 1959 e contava com 1091 eleitores aptos. Esse pleito resultou na vitória de Annis Neme Bassith (PTN) para prefeito com 480 votos (44%) e o Dr. Carlos Koch para vice, vencendo João Marques Maurício, do PSP (com 327 votos – 30%) e Domingos de Paschoal, do PDC (com 219 votos – 20,1%) e foram 65 votos entre brancos, nulos e abstenções (6%). A chapa vencedora foi empossada em 1 de janeiro de 1960, evento que ocorreu na sede da Associação Atlética Embuense, na Rua Andronico dos Prazeres Gonçalves, esquina com a Rua da Emancipação, juntamente com os vereadores eleitos. Neste mandato – em 1962 - criou o Parque Industrial Ramos de Freitas. Ao recordar a atuação como prefeito, Annis dizia que o maior arrependimento que teve foi mandar cortar árvores centenárias que se enfileiravam no largo 21 de Abril. “Eu sou culpado de uma coisa importante, de cortar aquelas árvores. Burrice, burrice, falta de experiência, queria alinhar o jardim. [...] Foi o maior erro da minha administração. Hoje não teria feito de jeito nenhum, a consciência é outra”, falou. Em 06 de Outubro de 1963, apoiou e contribuiu para que Joaquim Mathias de Moraes, mais conhecido como Quinzinho (coligação PDC/PTN e PTB), vencesse o pleito para prefeito e foi eleito vereador para o mandato 1964-1968, neste período devido o regime militar optou por ingressar na ARENA. Trabalhou pela implantação do 1o Salão de Artes Plásticas de Embu, em 1964. Naquela legislatura, foi vice-presidente entre 1965 e 1966, primeiro secretário em 1967, e foi presidente da Câmara no ano de 1968. Assim, foi o único político a ser vereador em Itapecerica da Serra e em Embu.
Eleito prefeito pela segunda vez e derrota do vice
Em 15 de novembro de 1968, com o apoio de Quinzinho, Annis Neme Bassith já na ARENA, foi novamente eleito, juntamente com o vice-prefeito, João Penteado Rocha, com 1.472 votos (53,9%), derrotando o partido da oposição, o MDB, cujo candidato, Oscar Yazbek e sua vice, Anésia Souza Pinto, alcançaram 1.256 votos (46,1%). Neste mandato 1969-1972, criou a então “feira hippie”, que se tornou a internacionalmente Feira de Artes e Artesanato (1969). Também inaugurou o prédio da escola MOSC. Inaugurou museu histórico-artístico em 1970, com patrocínio do governo do Estado, mas o espaço se perdeu – grande parte do acervo se estragou ou foi furtado, algumas peças estão no Memorial Sakai. Nas eleições seguintes, em 1972 o MDB acabou vencendo as eleições com seu candidato, Oscar Yazbek e seu vice, Milton Peixoto, diretor da ACIE (Associação Comercial, atual ACISE). O candidato do então prefeito Annis, João Penteado Rocha que era seu vice, não decolou e foi derrotado.
Homenagens aos pais e citações Sua mãe faleceu em Abril de 1978, e em agosto de 1979, o ex prefeito e então Deputado Estadual Oscar Yasbeck apresentou projeto de lei número 382, que renomeava para ‘EE Alexandrina Bassith’ a antes chamada ‘EEPG do Jardim Ângela’, em Embu. No mesmo mês, o então prefeito Joaquim Mathias de Moraes – o Quinzinho – sancionou lei no 763 que alterou a então ‘Rua Salim’ para ‘Rua Salim Neme Bassith’, esta, localizada no Jd. Arabutam. Seu pai também foi citado por um dos fundadores do Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, o músico e folclorista Oswaldo Câmara de Souza que trabalhou como zelador no prédio por volta de 1942: ‘Após um trabalhoso processo de limpeza e organização das peças, com a ajuda de um amigo, o Sr. Salim Neme Bassith, comerciante que disponibiliza gratuitamente caixotes, Oswaldo improvisa peanhas, revestindo-os com tecidos de damascos encontrados na sacristia, dando assim origem à primeira exposição do museu...’
Último mandato e outras funções Foi eleito vereador em 1988 para a sétima legislatura (mandato 1989-1992), pelo PFL, com 436 votos, sendo este seu último mandato. Empresário do ramo imobiliário, Annis deixou a vida pública em 1993, mas nunca ficou alheio aos destinos da cidade.
Títulos, homenagens e demais citações
Pelo Decreto Legislativo no. 102, de 14 de fevereiro de 2008, recebeu a Comenda de Mérito Legislativo Padre Belchior de Pontes junto a outros emancipadores, e pelo Decreto Legislativo no. 118, de 20 de maio de 2010, recebeu o título de Cidadão Embuense, que foi entregue em 30 de Junho de 2010 através da Câmara de Embu em sessão plenária especial, com a participação dos prefeitos Chico Brito e Evilásio Farias – de Taboão da Serra. O então vereador Milton Arenzon foi o autor da proposição. Em Maio de 2011 a Prefeitura de Embu das Artes registrou com pesar a morte de sua esposa, Senhora Neuza dos Santos Bassith, ocorrida em 22/05/2011 aos 71 anos. Eles eram casados há 48 anos. O velório ocorreu na igreja Nossa Senhora de Caravaggio e o sepultamento no Cemitério do Rosário. A Missa de Sétimo Dia foi realizada na Igreja Matriz da cidade. Em 2015 em sessão solene realizada na Câmara Municipal, houve comemoração de 56 anos de emancipação político-administrativa, Annis Neme Bassith foi homenageado juntamente com Edna Koch, filha do emancipador Carlos Koch e Fernando Medina, filho do emancipador João Batista Medina Filho: “Estou feliz da vida por ter realizado o objetivo dos emancipadores, ver a semente que plantamos dando frutos é maravilhoso, é sinal de que os atuais administradores vão de encontro com esses objetivos. A minha expectativa é que os próximos dêem continuidade a esse trabalho, mantendo o olhar carinhoso que sempre foi dedicado a população e trazendo ainda mais desenvolvimento para a cidade”. Edna Koch também se emocionou ao falar: “Eu acredito que meus pais estariam muito satisfeitos vendo os frutos da luta que eles iniciaram, hoje acima de tudo é um dia de muita saudade. Me lembro de uma época onde éramos dependentes de São Paulo e, hoje, vejo uma cidade completamente diferente, onde podemos resolver tudo, sem precisar nos deslocar para outras cidades”.
Em 2017 ao comemorar seu aniversário de 90 anos o site ‘Verbo Online’ registrou jantar em que reuniu muitos familiares e recebeu dezenas de amigos de várias gerações, em um restaurante na rodovia Régis Bittencourt em Embu das Artes. A matéria afirmou que Annis era uma “unanimidade” no município, respeitado por lideranças de todos os partidos e ideologias políticas. Mesmo tendo sido eleito em siglas de direita, de um homem conservador, soube transitar e fazer amigos entre figuras progressistas ao longo da vida. Entre posições lembradas, ele apoiou os governos de PMDB (Nivaldo Orlandi e Geraldo Puccini) e PT (Geraldo Cruz e Chico Brito), então considerados mais populares. No jantar em sua homenagem, ele estava com os filhos, neta, nora, genro, sobrinhos-netos, afilhados, compadres, comadres e muitos amigos, entre eles o deputado estadual e ex-prefeito Geraldo Cruz (PT), o ex-prefeito Joaquim de Moraes, o Quinzinho, e a professora Lídia Balsi. “Ele ficou muito emocionado e feliz pelas pessoas que compareceram à comemoração”, disse a filha Cris Bassith. Em 2018, o portal ‘O Taboanense’ republicou relato em primeira pessoa de Annis relembrando os passos para a emancipação do município. Em 2020 em meio à comemoração de 61 anos de emancipação, a Câmara de Embu das Artes replicou o mesmo, reforçando que Annis, aos 92 anos de idade, permanecia residindo na cidade. "O ano é o de 1958, no dia 17 de março, decidimos nos reunir à residência do Dr. Carlos Koch, às 20h30, para que fosse constituída uma entidade com força jurídica, a fim de pleitear a emancipação de nossa cidade. Neste primeiro encontro foi marcada a Assembleia Geral Ordinária, para 13 de maio, para a escolha da primeira diretoria. Em 17 de março de 1958 foi formada essa primeira diretoria, os encontros aconteceram sempre na residência do Dr. Carlos Koch, fundou-se assim a Associação Cívica de Embu. Participaram desta reunião 21embuenses, interessados no Movimento da Emancipação. Formada a diretoria eleita pelo conselho e cumprida todas as exigências legais, o pedido foi encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado, e teve como patrono o então deputado estadual, Francisco Scalamandré Sobrinho que, em memorável caravana foi entregue ao presidente da Assembleia. O processo teria agora uma nova etapa, passar pela Comissão de Justiça da Assembleia. Para a alegria de todos, o mesmo foi aprovado. Após esta aprovação o plebiscito deveria ser marcado pela Secretaria de Estado da Justiça, o que ocorreu no dia 21 de novembro de 1958. Graças ao trabalho de todos os membros da Associação Cívica foi o mesmo aprovado quase que por unanimidade, tendo apenas quatro votos contrários. Na época os municípios deveriam ter pelo menos 5491 habitantes. Em1959, através da lei No 5285 de 18 de fevereiro de 1959, o então governador, Dr. Jânio da Silva Quadros criava o município de Embu. Após a promulgação da lei, as eleições foram marcadas para o dia 04 de outubro de 1959.’’ Em seguida, ele relembrou o primeiro dia de trabalho como prefeito e suas dificuldades até peculiares enfrentadas: ‘’Passada a euforia da posse, dia 2 de janeiro de 1960, já tínhamos que iniciar a organização do município, o que ocorreu no prédio onde hoje está instalado o Banco do Brasil, e, às 8h da manhã, eu e o funcionário Joaquim Mathias de Moraes, adentramos ao prédio onde deveríamos iniciar o nosso trabalho. Ocorre que, não tínhamos sequer um lápis, uma folha de papel, muito menos máquina de escrever, para que houvesse algum suporte para poder trabalhar... Os móveis da Prefeitura recém-criada eram apenas duas escrivaninhas, doadas pelo Sr. Raimón e pelo Sr. Henrique da Prestação que vendia móveis na cidade, além de quatro cadeiras, doadas pelo mesmo Sr. Henrique. Em seguida, convidamos a Sra. Delphina Ribeiro para ser também funcionária naquele primeiro instante. Para que tenhamos ideia do quanto foi benéfica nossa luta, podemos citar alguns números para ilustrar melhor o que representou a Emancipação de Embu. Na eleição de 4 de outubro de 1959 tínhamos 1091 eleitores... A população era de 5491 pessoas... Iniciamos com um orçamento irrisório...’’ Em entrevista ao jornal ‘Folha de Embu’ em 2019, Annis Bassith contou que um dos seus maiores orgulhos na administração da cidade foi a oficialização da Feira. “A criação da feira de artes de Embu, foi importante, deu projeção para Embu”, contou na ocasião, quando a feira completou 50 anos de existência.
Falecimento e homenagem póstuma Faleceu em 04 de Abril de 2022 aos 94 anos, deixou os filhos Annis Júnior e Cristiane e netos. O então prefeito Ney Santos decretou luto oficial na cidade por três dias. O Jornal SP Repórter ao publicar noticia relacionada, mencionou contato feito com o ex-vereador e advogado Ibraim Mendes, que registrou profundo pesar pelo falecimento do amigo próximo. "Era um homem forte, honesto e trabalhador. Uma pessoa muito dedicada ao município. Ele foi um prefeito muito honesto, capaz, exigente e conduziu nosso município por muitos anos, implementando uma série de conquistas. Embora ele tenha ficado afastado, até pela idade, deixará uma lacuna muito grande para nós que tivemos a oportunidade de conhecê-lo. O que ele se prontificava a fazer, fazia! Não deixava ninguém na mão. Ajudou muito a Associação Atlética Embuense, foi um dos fundadores dela e sempre esteve do nosso lado". Vice-prefeito entre 2001 e 2008, Roberto Terassi também demonstrou grande consternação ao ser procurado pela reportagem. "É com muita tristeza que recebo essa notícia da morte de uma pessoa tão importante como foi Annis Neme Bassith. Nos deixa esse querido amigo, esse lutador, que foi o primeiro e terceiro prefeito. Deixa um feito maravilhoso para essa população que chega hoje a quase 300 mil habitantes. Fui um grande amigo dele". O velório aconteceu na Igreja Nossa Senhora de Caravaggio (Vila Carmem), e o sepultamento no Cemitério Nossa Senhora do Rosário (Centro). Em 2023, a Prefeitura de Embu das Artes criou a Medalha de Honra ao Mérito Annis Neme Bassith – regulamentada pela Lei 3413/2023 – que deverá ser concedida pelo Chefe do Poder Executivo a aqueles que, servidores públicos ou não, de alguma forma desempenharam notória atividade ou prestado serviços relevantes que contribuíram para o engrandecimento do município de Embu das Artes.
Referências

